Camões 980

“Camões 980” era um edifício de habitação unifamiliar da alta burguesia do séc. XIX que foi alvo de uma intervenção de reabilitação visando inscrever no edifício vários apartamentos.

O edifício em causa encontra-se numa zona de transição entre um paradigma de construção característico do sec. XIX (moradias unifamiliares de 2 a 3 pavimentos a fazer frente de Rua) e um paradigma de construção do sec. XX (edifícios de 6 a mais pisos com comércio ao nível da rua e apartamentos nos restantes pisos). A justaposição destes, resulta, como neste caso, na existência de transições de escala descuidadas e impactantes empenas.

A intervenção neste edifício para além de dar resposta ao programa procurou contribuir para uma transição de escalas mais harmónica através da ampliação do mesmo com a inscrição de um novo pavimento mantendo as quatro águas, recuado em relação à fachada frontal como é recorrente em construções contemporâneas ao edifício.

Apesar do edifício se encontrar em acelerado estado de degradação fruto de infiltrações de água provenientes da cobertura, intervenções posteriores pouco cuidadas e de atos de vandalismo, apresentava elementos de singular interesse arquitetónico e decorativo passíveis de recuperação e restauro que interessava preservar e que foram determinantes e orientadores nas opções de projeto.

Ao nível da intervenção interior, optou-se assim nos pavimentos existentes por respeitar a traça original mantendo-a coesa, e no novo pavimento optou-se por assumir a sua contemporaneidade. Ao nível da intervenção exterior, a traça do séc. XIX foi respeitada, havendo apenas ao nível do alçado tardoz a inscrição pontual de elementos de linguagem mais contemporânea.

Da intervenção resultaram seis apartamentos, um apartamento tipologia T2, um apartamento tipologia T2 duplex, dois apartamentos tipologia T1 e dois apartamentos tipologia T0+1.

 

ano: 2016
tipo: habitação coletiva
cliente: particular
local: porto
fase: concluído
arquitectura: magnético
gestão de empreedimento: magnético
especialidades: ncrep
fotografia: arménio teixeira