Gonçalo Cristóvão

Gonçalo Cristóvão é um edifício antigo, cuja construção será anterior a 1939. Este insere-se num quarteirão com uma morfologia bastante heterogénea em termos de tipologia de construção e de cércea, com edifícios que apresentam dois pisos a edifícios com sete e oito pisos, sendo estes últimos mais contemporâneos.

O objetivo da intervenção foi manter o edifício afeto ao uso a que se destina (habitação), proceder ao seu fracionamento em propriedade horizontal. Assim sendo, o projecto manteve a volumetria original do edifício, os alinhamentos predominantes e relaciona-se com a fachada frontal em alvenaria de granito que foi recuperada e convenientemente integrada na proposta. Relativamente à fachada tardoz o desenho desta estabelece relações funcionais com o programa existente no interior e relações formais no contexto geral da intervenção. No que respeita a cobertura a mesma será de 4 águas e integra uma claraboia sobre a caixa de escadas. A caixa de escadas mantém a sua posição central na implantação, tal como acontecia no edifício existente e como é tradicional nos edifícios do séc. XIX contemporâneos a este edifício.

O facto de a caixa de escadas do edifício ser central na planta do edifício é determinante na organização interior dos pisos e na distribuição das frações, nomeadamente, no piso 0 uma fração tipologia T0, no piso 1 duas frações tipologia T0, e no piso 2 uma fração tipologia T2.

Do ponto de vista formal, a fachada frontal e a cobertura mantiveram a traça vernacular, valorizando as cantarias em granito, os azulejos azuis escuros, as guardas em ferro fundido e o revestimento da cobertura em telha marselha. A fachada tardoz e o interior do edifício partiram de um princípio de reinterpretação da traça vernacular deste tipo de edifícios, mas assumindo linhas mais contemporâneas.

 

ano: 2016
tipo: habitação coletiva
cliente: particular
local: porto
fase: concluído
arquitectura: marta campos e e olga feio
fotografia: photoshoot portugal